O passar dos anos

♪ It’s time to begin, isn’t it, I get a little bit bigger, but then, I’ll admit I’m just the same as I was
Now, don’t you understand that I’m never changing who I’m ♫

Hoje estava lendo uma autodescrição que fiz aos 16 anos, quem eu era, o que eu queria, como era a minha vida. Quatro anos depois e um tantos tapas da vida, parece que li algo escrito por outra pessoa, de outro mundo. Aliás, essa semana tem sido um tremendo choque de realidade. Acho que o tempo vai passando tão rápido que não nos damos conta dele, falamos em dois anos, três, quatro, mas isso são apenas números, quando paramos para analisar a vida em retrospecto, nossa, foram quatro longos anos.

Quando eu tinha 6 anos ganhei de presente de natal da minha tia um diário, provavelmente todas as meninas já ganharam alguns ao longo da vida. E eu realmente escrevi nele. Comecei daquele jeitinho fofo de criança com o “querido diário“, mil adesivos, carimbos, canetas coloridas e erros de português hediondos. A minha diferença pra grande maioria das meninas é que eu escrevo diários até hoje. Eles não tem cadeados, são apenas cadernos, aliás, depois que descobriram que eu ainda escrevo diários, além de me zoarem para todo o sempre, começaram a me dar cadernos fofos pra eu usar com esse fim. Mas onde eu queria chegar com toda essa história, é que com diários essas mudanças ficam ainda mais claras, não só pela maneira de escrever, como também pelos assuntos.

Antigamente eu falava dos meus amores eternos, que duravam uma eternidade de no máximo dois meses. Falava dos meus problemas com os brinquedos e as mesadas que eram suspendidas, tipo, sempre. Eu falava da escola e de como tinham umas meninas metidas. E depois eu falava da escola e como eu era uma delas. E agora, bom, agora eu não falo da faculdade porque além de ela estar finalmente acabando, eu a detesto.

Meu diário assim como a minha vida ficaram adultos. Nesse sábado eu tive a preciosa oportunidade de ver o quanto. Encontrei amigos do ensino médio, e nós falamos sobre nossos trabalhos, o que pretendemos para as nossas carreiras, sobre o caótico trânsito do Rio de Janeiro, sobre as eleições, sobre relacionamentos que vivemos e que nos transformaram, ao invés de só terem sido parte das nossas vidas por um tempo. E quando eu cheguei em casa me perguntei: quem eram aqueles desconhecidos?

Não é que eu não tenha essas conversas todos os dias com a minha família ou com o meu namorado, por exemplo. Mas eles estão comigo o tempo todo, acompanhando essas mudanças e me contando as suas próprias. Estar junto com pessoas da adolescência, das quais eu não soube da vida por um bom tempo, e de repente ter assuntos totalmente aleatórios com elas me fez ver o quanto tudo mudou.

Muitas vezes eu disse aqui que não queria crescer e hoje eu vejo que era só medo mesmo. Eu cresci, mudei, e nem doeu tanto assim. No início teve toda aquela confusão de saber quem eu era, e o que eu queria. Hoje eu sei que “quem eu sou” pouco importa, não preciso definir isso, vou sendo e pronto. E eu queria muita coisa, tinha muitos planos, mas a vida saiu mexendo em tudo, desarrumando tudo, e me deu tantas coisas maravilhosas, que esse “o que eu quero” também não me incomoda muito mais.

Continuo aqui, amando o Batman, o Calvin e o Haroldo, preferindo ler ficções fantasiosas a biografias de pessoas importantes, continuo falando apaixonada de desenhos animados, e tirando tempo nos dias corridos para recortar e colar e pintar um pouco. E contra todas as possibilidades, continuo amando apaixonadamente. E falando demais, olha o tamanho desse texto…

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Eu te amaria…

“Life is not measured by the breaths we take, but by the moments that take our breath away.”

Ainda que você pesasse 20 quilos a mais, eu te amaria.

Mesmo que você voltasse a usar aparelho, eu te amaria.

Até que você raspasse a cabeça, ou pintasse o cabelo de azul, ou fizesse um moicano, eu te amaria.

E se você tirasse a barba, ou a deixasse crescer no estilo Moisés, eu te amaria.

Para todas essas perguntas que você me faz sobre “você me amaria se…”. Sim , eu te amaria.

E não, definitivamente não vou enjoar de você, independente de quantos dias consecutivos passarmos juntos. E não, não vou esquecer você,independente de quantos dias consecutivos passarmos juntos (nem um pouquinho).

Eu te amo todos os dias a cada minuto, sempre mais que no início. E te amarei apesar das nossas muitas brigas, e de às vezes não combinarmos em nada, e de você ser tão orgulhoso, teimoso, implicante, e irritantemente racional. E amarei simplesmente porque há todos aqueles outros momentos, em que combinamos perfeitamente, e nos entendemos, e por um milagre, o mundo meio que faz sentido.

Vou te amar porque você se seca tão metodicamente depois do banho, enquanto eu saio respingando a casa inteira. Vou te amar porque de manhã, você faz sanduiche de queijo com queijo e orégano, e eu faço o meu de manteiga com queijo e termino antes que você tenha tirado o seu da chapa. Vou amar mais um pouco por todas as vezes que você briga comigo porque eu não comi tomando antibiótico, e por todas aquelas que me acordou com um beijo e um abraço porque eu estava tendo pesadelos.

Eu te amo tanto, que literalmente, dia desses, perdi o ar por ter me dado conta do quanto. Lembro perfeitamente daquele momento. Foi bem como descrevem nos livros, sininhos tocaram, o tempo parou, o ar sumiu. E eu fiquei ali, bobamente paralisada absorvendo o que eu sentia. Você até me perguntou se estava tudo bem… Estava bem, mais que bem. Foi só a descoberta de olhar nos seus olhos e saber que sou tão sua e não me importar com isso, e me sentir tão bem com isso. Ser feliz por isso. Redescobri que posso ser inteira, mesmo que uma parte de mim esteja com você, que não deixei de estar completa por não ser somente minha. Isso é só resultado de um sentimento que transborda, e que portanto, deve ser dividido, ou melhor, compartilhado.

Então é, eu te amo, te amaria, e suspeito que amarei muito mais por um longo tempo.

O silêncio

Eu estou em silêncio, um profundo silêncio, que veio me inquietando nas últimas semanas, tamanho era o zumbido que ele deixava nos meus pensamentos. Um oco, cheio de ecos, de quase frases, de pensamentos não ditos.

Lembro que quando estudei música meu professor disse que jamais encontraríamos o silêncio absoluto. Todo lugar aparentemente silencioso possuiria um ruído que para os que prestassem atenção suficiente acabaria se tornando um som alto e irritante. Hoje ele está em um hospício, tenho certeza que realmente nunca foi capaz de encontrar o silêncio, absoluto ou não.

A loucura dele não é o foco, obviamente. O foco é a minha. Não estou louca, não mais que sempre fui, naturalmente. Mas todo aquele zumbido que não chegava a ser som era suficiente para transformar qualquer meio são em aparvalhado.

A inquietação durou até que eu achasse a origem do silêncio, de onde devo dizer não achava que seria capaz de encontrá-lo. O silêncio vinha do amor. Comumente o mais barulhento de todos os sentimentos, me deixou em silêncio.

E eu, romântica incorrigível, me achei inicialmente em estado de desolação. O sentimento dos poemas, músicas, livros, versos e todo e qualquer outro meio ineficaz de traduzir algo que não se fala, se sente.

Mas convenhamos que se considerarmos a inexplicabilidade e inexprimibilidade do amor, veremos que a maneira ideal de demonstrá-lo é em silêncio. Através daquele olhar condescendente, do toque inesperado, do movimento ritmado, do abraço sufocante que não quer dizer possessividade – ok, talvez um pouco – e sim que temos medo de perder, de deixar. Amor se percebe no leve tremor da voz quando dizemos o nome de quem amamos. Era pra ser apenas mais um nome, mas não é, é uma outra forma de dizer “meu amor”,  um orgulho que temos centrado em outro ser, em estar com ele.

Então, me conformei com o meu silêncio. Ele ganhou sentido, motivo, significado. Um silêncio de muitas maneiras apreciativo… como perceber aquelas sutis mudanças se estivesse me dedicando mais a falar que a compreender?

Faz sentido isso? Não sei dizer… Sei que quando eu digo “eu te amo” ele está carregado de todo esse silêncio contemplativo, está cheio de sentimentos que não consegui expressar, ideias que não soube descrever, sensações que não transformei em palavra, eu senti e senti, e conti*. E assim como dias de muito calor precedem grandes tempestades, o acúmulo de silêncios gera um amor mais carregado.

Quando chego a dizer sinto o peso de tudo saindo de mim, em torrente, em uma explosão de energia. E então eu respiro fundo, sei que um novo silêncio vai começar…

*contive… mas gostei mais assim.

 

Acontecendo

Mas onde se deve procurar a liberdade é nos sentimentos. Esses é que são a essência viva da alma.
Johann Goethe

Começo a acreditar naquela história de que quando você não está procurando uma pessoa, é que você encontra as melhores. E eis que não muito tempo atrás dei a sorte de encontrá-lo, ou dele me encontrar, não sei dizer com certeza.

E quando tudo começou, de uma maneira tão despretensiosa, eu jamais imaginava que chegaria a isso – não é “isso”, usar essa palavra tira o valor do que está acontecendo, em compensação, não há uma que eu conheça pra definir. Tente pensar em um momento feliz da sua vida, agora imagine-se compartilhando esse momento com uma pessoa maravilhosa, que tem a capacidade de multiplicar em muitas vezes qualquer grau de felicidade em que você se encontre. Se já esteve verdadeiramente apaixonado, sabe do que eu estou falando, se não, faço votos sinceros para que um dia esteja.

Mas, voltando ao ponto inicial, tudo foi acontecendo gradativamente, uma necessidade de falar todos os dias, de falar por mais tempo todos os dias, de estar junto, de estar junto sempre que desse. Uma necessidade dele, de diversas maneiras diferentes.

Admito que no início me assustou, fiquei com medo de me apaixonar, de sofrer, essas besteiras que sempre passam na nossa cabeça. Quero dizer, como se não valesse o risco… Agora tudo está diferente, não há mais medo, nenhum que seja realmente digno de preocupação, há uma suave confusão. Uma confusão estranhamente agradável, um pouco desconfortável, mas com dois caminhos: um bom e um extremamente bom.

O desconforto vem do fato de eu gostar de dar um nome para as coisas, e o que eu sinto agora, não tem um nome. É intenso, forte, diferente, aconchegante, é uma explosão e uma calmaria, é algo que eu ainda não tinha experimentado, e sei disso porque nunca faltou um nome. Sei para o que estou me encaminhando, sei que nome terá, mas no fundo, não tenho certeza se esse atribuirei a esse nome mesma definição que antes.

Como eu estou …

“Someday, somewhere – anywhere, unfailingly, you’ll find yourself, and that, and only that, can be the happiest or bitterest hour of your life.”

Pablo Neruda

Me perguntaram, essa semana, como eu estou… eu disse que bem. Mas eu menti, estou bem mais que bem. Estou experimentando uma sensação renovada de liberdade, que me permite ser quem eu sou, dizer o que penso, no tom que eu quiser e fazer o que eu bem entender. Estive acuada antes, acho que tinha aceitado o “destino”, algo no qual nunca realmente acreditei, mas que pela comodidade deixei ser. Eu havia aceitado que o que era devia ser e que eu não podia fazer nada sobre isso.

Foi realmente emocionante ver que não era nada disso, nada daquilo. Foi um esclarecimento precioso que me empurrou de volta pra vida, de um jeito brusco, devo acrescentar. Voltei pra ela em total desequilíbrio, uma perdida que por tanto tempo sabia que caminho seguir e o que fazer para se manter nele, e que agora está sem rumo, sem um objetivo palpável, mas com muito mais expectativas e vontades que antes.

E ainda assim, eu estava receosa. Ter tanto de mim em mim de novo não era pra ser estranho, mas é, porque eu sou… difícil. Teimosa, orgulhosa, implicante, grossa e muitas vezes indiferente. Eu não estava sendo assim por um tempo, eu estava simplesmente quieta. E agora que o ímpeto voltou, estou achando divertido ter que lidar com todos os sentimentos conflitantes de novo. Uma necessidade súbita de algo ou alguém, misturada com a teimosia absurda que me impede de fazer algo pra resolver.

Então sim, estava receosa, não me lembrava mais de como ser assim. Até que num estalo eu sabia qual era o segredo, eu sabia de novo o que eu fazia. Eu sentia, eu deixava acontecer. Que eu estivesse puta da vida se de repente eu decidisse que queria, eu esquecia minha características mais insuportáveis e seguia, ali, sem pensar, sem medir consequências, eram meus sentimentos, meus problemas, eu ia lidar com isso da maneira que desse na telha.

Que assim seja então, que os momentos de decisões instantâneas sejam mais frequentes, que as incertezas sejam substituídas por uma tentativa qualquer, por alguma coisa que seja, e que eu não me perca de mim de novo.

Recuperação

“You took my light, you drained me down, but that was then and this is now, now look at me. This is the part of me that you’re never gonna ever take away from me, no (…) Now look at me, I’m sparkling, a firework, a dancing flame. You won’t ever put me out again I’m glowing, oh whoa. So you can keep the diamond ring, it don’t mean nothing anyway. In fact you can keep everything, yeah, yeah. Except for me.”

Part of me – Katy Perry

Estou em fase de recuperação. Recuperando a mim no meio desses últimos acontecimentos. Estou recuperando meu orgulho, minha segurança, meu humor, estou recuperando minha mente, estou me reencontrando. E principalmente, estou recuperando minha alma e meu coração. Por um longo período tudo isso esteve perdido, esteve nublado, na realidade, tudo esteve dividido. No último ano eu aceitei uma verdade, eu aceitei que amar era estar dividido em dois, era ser dois em um, era não me ter mais pra mim apenas. E quando eu aceitei isso acabei me abandonando a uma rotina que não me permitia existir sem ele, sem nós.

Agora, algumas semanas depois do estrago, do fim, eu começo a finalmente me enxergar de novo. Nas últimas semanas eu estive presa, de olhos fechados, de mãos atadas. Eu estava entregue a uma máxima: Isso não acabou, e eu não preciso me recuperar do que não acabou. E quando eu coloquei isso na minha cabeça, acabei apenas pisando mais em mim, me condenando mais e mais a algo que já não existia, não devia existir, e jamais voltaria a ser. Eu me condenei a esperar que ele voltasse, que tudo voltasse ao normal. Mas como eu disse, volto a me encontrar de novo.

Não sou e nem nunca fui assim. Não preciso voltar a ser o tal cubo de gelo que todos conheciam, mas posso ser um meio termo, um meio termo que eu encontrei um ano atrás. Eu sou forte, sei me cuidar, sei olhar pra frente e continuar. Eu sei me esquecer do que não me faz bem, e sei melhor do que ninguém como ignorar aquilo que me incomoda, que machuca. O problema foi conseguir conciliar isso com ter que lidar com a situação sem ignorar ela completamente. Todos sabemos, ou deveríamos saber, que ignorar não resolve um problema, principalmente quando o problema é um relacionamento longo que envolveu uma quantidade considerável de afeto.

Não adianta ignorar que eu o amo, que preciso falar com ele, que ele foi meu melhor amigo, antes de ser meu namorado. Mas descobri que ignorar e não demonstrar são coisas diferentes. Então aqui estou eu, de pé – com muita dor nas pernas porque decidi começar a malhar – pronta pra enfretar isso como eu sempre enfrentei. De cabeça erguida, peito aberto e ferida exposta, porque ferimentos abafados só demoram mais tempo pra se curar…

Um sonho…

Cansei desse monte de gente hipócrita, desse monte de preconceitos, cansei de falso moralismo, de falsidade no geral. Cansei desse gorverno imundo, dessa gente mentirosa, dessa juventude perdida, dessa geração passada que só sabe dar lição de moral sem ter moral nenhuma. Cansei!

A gente acorda todo dia com um monte de gente dizendo que preconceito é errado. Mas as pessoas sofrem preconceito por tudo, por sua classe social, por onde moram, por onde estudam, por sua cor, por sua religião, opção sexual, pela música que gostam, pela maneira como se vestem. A gente tá sofrendo preconceito até por respirar e ninguém tá falando nada, niguém tá fazendo nada.

A gente sai de casa para estudar como todo mundo, e se não for de faculdade federal não presta. Mas todo mundo estuda. A gente sai pra trabalhar um dia inteiro, 6/1, ganha um salário mínimo e tem que sorrir pra esse governo de miséria que vivemos. Minha passagem subiu, meu imposto subiu, minha comida também, e o governo só quer me afundar. Para de dar bolsa miséria, para! Eu quero que todo mundo tenha educação, da boa, da melhor.

Eu quero ter chances! Eu quero acreditar que o futuro vai ser diferente, só não sei como se faz isso ainda… Quero um povo diferente, quero um povo de fé, não de religião, quero um povo de nação, não de preconceito regional e estadual, quero um povo de verdade, não de frases feitas e motivacionais, quero um governo limpo, não de ladrões corruptos, quero morar bem, e que isso não signifique viver na zona sul, quero ter meus direitos cumpridos, quero que respeitem o meu espaço, o espaço do outro, o espaço de todos.

Queria que as pessoas escutassem antes de criticar, que as pessoas falassem antes de brigar, que amassem antes de odiar ou mesmo de conhecer, queria que todo mundo se ajudasse… eu queria, mas com o passar dos anos eu descobri que querer não é poder :/