Apenas uma definição.

‘Cause when you’re fifteen and
Somebody tells you they love you
You’re gonna believe them

Ela estava sentada de frente para o espelho. Seu vestido azul celeste caia em ondas pelo chão, o movimento de sua respiração fazia com que o tecido brilhasse ao se mover de encontro com a luz. Seus longos cabelos castanhos estavam arrumados e uma coroa fora colocada nele. Haviam feito uma maquiagem que a deixava com a ar angelical, seus olhos contornados por uma mistura de azuis e bancos. Seu rosto de porcelana refletido no espelho, mas uma boneca de porcelana não chora. Eram os seus quinze anos, não era pra ser perfeito? Ela não era a princesa ali?

Seu pai entrou no camarim e parou de pé atrás dela. Ele sorria genuinamente, o movimento fazia com que pés de galinha se formassem no canto de seus olhos. Sua menina estava completando quinze anos, agora sua pequenininha entraria em outra fase. Mas o que a lágrima estava fazendo em seu rosto? O que a preocupava?

– Acho que finalmente cresci, papai… – ela disse com um suspiro. O pai sorriu, e de onde será que aquela conclusão tinha saído?

– É mesmo? E o que aconteceu? – ele perguntou seriamente, não queria que ela achasse que ele não se importava com os problemas dela.

– Eu deixei de acreditar no amor! Não é isso o que acontece quando a gente cresce? – ela falou enquanto secava a lágrima de seu rosto e calçava seu sapato.

O pai dela balançou a cabeça, puxou outra cadeira e a colocou de frente para a filha. Ele se sentou e ergueu o rosto para que ela pudesse olhar pra ele.

– Alguns adultos deixam de acreditar no amor, mas não é uma regra Aurora. E deixar de acreditar no amor não quer dizer que você cresceu, quer dizer que perdeu as esperanças.

– Mas não dizem que a pessoa que ama só tem olhos para o amado? Ele não olhou só pra mim lá fora, e ele é o meu príncipe. – ela disse desviando o olhar.

– Aurora… Você saberá que cresceu de verdade quando aprender como amar. Não existe o felizes pra sempre dos filmes, não existe o amor pleno. Pessoas que amam também olham para o lado e também brigam. Pessoas que amam discutem e por vezes até se separam, mas isso não quer dizer que o amor acabou ou mesmo enfraqueceu, quer dizer que somos apenas humanos. O amor amadurece e cresce, e você tem que aprender a lidar com ele. Algumas vezes Aurora, você só não sabe o que está acontecendo, e parte de amar significa deixar de lado o orgulho pra procurar saber.

– Por que pessoas que se amam se separariam e brigariam? – ela disse assustada.

– Porque elas são diferentes umas das outras minha princesa. Parte de amar é aceitar as diferenças, e nós às vezes precisamos de tempo pra entender isso… – ele disse calmamente.

– Então isso quer dizer que ele me ama? – ela disse esperançosa.

– Ele te disse isso? – o pai perguntou cuidadoso.

– Disse… – ela falou enquanto seu rosto ruborizava.

– Se você acredita que ele foi sincero, então quer dizer sim…

Então ela se levantou com um sorriso, e estendeu a mão para o pai. Ele sorriu novamente e pegou a mão dela, os dois saíram novamente para o burburinho do salão. Todos a olhavam, tão linda como estava era impossível que alguém preferisse olhar para algum outro lugar. O pai dela encontrou o tal rapaz de quem ela reclamava, ele olhava pra ela como todos os outros. Mas o olhar dele entregava muito mais, ele estava encantado por ela. Ele a amava, do jeito infantil e adolescente, mas ele a amava…

By:. Viih Loyer

Política de merda…

Não costumo falar de coisas como essa, mas acho que vale a comoção. Passei todo o tempo dessas eleições um tanto quanto preocupada. Considerando tudo, acho que a nossa população não anda apta o suficiente a votar. Nossa democracia é bastante recente e considerando a história do país da até pra dizer que só começou de verdade com o FHC. Democracia engraçada na realidade, considerando que somos obrigados a votar, mas enfim, o ponto não é esse.

Políticos em sua maioria não se importam em cumprir suas promessas, não se importam em comparecer aos seus compromissos com o estado. Na realidade, eles simplesmente não se importam. E isso gera na população um tipo de aversão a eleições, e uma das frases campeãs é: “Votar pra que? É tudo é mesma merda”. Se eu concordo? Plenamente, e me sinto culpada por isso. Não é normal que um povo com direito a votar e a escolher pense assim. Um povo na realidade que lutou por esse direito durante os muitos anos da ditadura, e que sofreu por muitos outros com governos ineficazes.

O fato é que o povo brasileiro além de não ser educado para votar, é educado para esquecer. Mais uma obra dos nossos ilustres políticos na verdade. Nunca a prioridade de nenhum deles é o ensino público de qualidade, e desde que a lei da “aprovação automática” foi concedida eu perdi completamente minhas esperanças. Sim, eu sei que ela foi revogada, mas por Deus, só de ela ter sido em algum momento admitida nota-se a falta de compromisso com os jovens. Se hoje fundassem boas escolas, e não estou falando de instalações escolares – porque o colégio onde eu estudo é a prova de que um prédio não muda o rendimento dos alunos – estou falando de bons professores. Enfim, se dessem uma base, teriamos pessoas bem instruídas no futuro, pessoas que votariam conscientes do que estavam fazendo.

Mas porque educar? Pessoas que estudam sabem que não há vantagem nesse monte de bolsa de fome. Aumentando a escolaridade, o número de famílias não planejadas diminuiria consideravelmente, e com famílias estáveis, que tipo de moeda de troca os políticos teriam para se eleger? O fato é simples: dar instrução, é perder voto.

E o que me incomoda não é só isso. Apesar do fato escola ser essencial, ficou claro que também não é lá um grande esclarecimento. Afinal de contas Tiririca foi em eleito em SP com 1.353.820 votos. Aí é que vemos que as pessoas desistiram mesmo da política, porque votaram em uma pessoa que nunca fez questão de esconder que é analfabeta, e que na sua campanha admitiu não saber o que faz um Deputado Federal. Interessante ele ter sido eleito, eu acho.

O que acontece é o seguinte, adolescentes votam em sua maioria por obrigação e se tiverem oportunidade, vão brincar com isso. Adultos seguem o mesmo embalo. E os idosos, que ainda se esforçam pra sair de casa é que são uns poucos bons exemplos.

Triste mesmo é saber que no fim das contas nada muda. Fui a uma dessas reuniõess com deputados, onde eles colocam em pauta diversas leis para serem ou não aprovadas. Meu se escureceu logo no início, quando fizeram a chamada, e eu notei que de uns vinte, apenas seis estavam presentes. E então eu penso: Aposto que não vão descontar isso do salário deles. E é assim, entrar na política é como tentar a sorte na loteria. Os que conseguem ser eleitos é que são felizes.

E agora, temos aí o segundo turno. A população toda entre a cruz e a espada. De um lado, uma mulher que carrega um currículo minúsculo e fã do nepotismo, do outro um sujeito fã de privatizações. Sinceramente, fica impossível saber qual dos dois vai causar mais estrago.

Uma casa não é um lar

“A verdadeira família é aquela unida pelo espírito e não pelo sangue”
Luiz Gasparetto

Agora me apeguei a esse negócio de contar crônicas, e portanto, tenho uma nova.

Estava eu na escola conversando com minhas amigas, até que alguém mencionou aquele fato deplorável do sujeito que era filho adotivo do dono do Rei do Bacalhau (restaurante aqui do Rio). Então começamos a falar sobre essa questão de adotar ou não adotar. Nessa conversa eu ouvi alguma das frases que mais me enojaram na vida, e aqui vão elas:

“Eu nunca adotaria ninguém, a pessoa já vem com um gênio pronto. Pode ser um bebê, mas sempre vai vir com as coisas na cabeça”

“Acho rídiculo esse monte de artista que fica adotando uma porrada de criança, é tudo jogada de marketing”

“E a Madonna? Com aquele bando de pretinho junto com ela?”

“Não sei pra que adotar, nunca serão filhos mesmo. É muito melhor criar um orfanato e fazer boas doações pra ele”

Agora deixe-me comentar cada uma dessas. Primeiro, criança nenhuma vem com gênio pronto, gostaria muito de saber de onde tiraram isso. O caráter se forma junto com o crescimento, e não necessáriamente a criança vem com ele. Pode acontecer de uma criança dar problemas? Sim. Mas isso independe de ser um filho biológico ou adotivo. Quantos pais de filhos legítimos sofrem com os filhos que criaram e que saíram de suas entranhas. Absurdo é achar que porque a criança não é sua filha ela será uma descontrolada, assassina. Tudo depende dos pais que criam.

Quanto aos artistas adotarem. Deus do céu, marketing? MARKETING? O cara adota um monte de crianças pra aparecer? É isso mesmo que alguns pensam? Simplesmente agora porque uma pessoa é artista ela não pode adotar então, talvez os artista não devessem mais casar, é marketing, nem respirar, porque nossa, gastar o oxigênio do planeta é marketing. E se eles adotam não importa o motivo, o que importa é que eles foram capazes de fazer uma boa ação que poucos tem coragem de fazer. Eles ao menos se importaram o suficiente para fazer alguma coisa.

A da Madonna eu acredito que foi de longe a pior. Além do desdém com adoção, com relação a artistas, ainda trouxe a tona um tipo de preconceito que eu mesma já não presenciava a muito tempo. Que importa a cor deles? Serei realista aqui ao dizer, realmente é difícil adotarem crianças negras. Então se a Madonna fez isso, palmas pra ela. Que ajudou crianças que tem ainda mais dificuldade de arranjarem um lar.

E a última… FAMÍLIA, será que alguma vez essas meninas já pararam pra pensar no significado dessa palavra. Nada no mundo substitui um lar, o amor dos pais, o afeto, carinho e compreensão. Nada substitui a sensação de ser protegido, criado, educado por alguém. Não só os pais, mas os tios, tias, avós, primo, talvez irmãos. Doação nenhuma é capaz de fazer o que o amor faz. Quem sabe eu seja um pouco apegada demais a minha família, e por isso não consigo achar justo que crianças por aí não possuam também.

Talvez seja bom mesmo que essa minhas amigas não queiram adotar, Deus livre as crianças de pais como elas. E é por pessoas pensarem assim que o mundo está como está. Ninguém mais pensa no outro. Só no que vair ser bom pra si, no que vai trazer lucros. Nunca pensando naqueles que precisam, mesmo que apenas de atenção. Entrar em um orfanato e ver naquelas crianças o quanto precisam de auxílio é mais que suficiente pra provar o quanto dinheiro e teto pra morar não são tudo na vida.

By:. Viih Loyer

Just open your eyes …

♫ Que país é esse? ♪

Decidi ver o mundo de outra forma em um momento bastante propício. Essa é a primeira vez que conto alguma crônica que envolva alguma experiência pessoal, mas creio que seja um “mal” necessário.

Tudo aconteceu ontem, quando faltavam apenas dez minutos para as nove da noite. Aqui na porta da minha casa, estavam parados no carro já se preparando para sair, meu tio e tia com sua filha de apenas três meses quando  ocorreu um assalto. Meus pais também estavam presentes. Pararam de carro quatro adolescentes, e um não tinha mais que quinze anos, estavam todos armados.

Ninguém saiu ferido e a única perda foi o carro. Como todos dizem: “Bom que o pior não aconteceu, só perderam mesmo os bens materiais”. Concordo, mas eu não perdi apenas um bem material.

Sempre fui do tipo patriota, mas em compensação sempre fui do tipo que fecha os olhos para os problemas. Vejo no noticiário os problemas, mas pra que me preocupar? Nunca foi nada comigo. Eu vejo, mas por algum motivo me senti sempre protegida por Deus, ou pelo que quer que seja. E por mais que hajam tragédias eu sempre acreditei nas melhoras.

E foi isso que eu perdi.  A fé no nosso país. A proximidade da perda, o medo de perder alguém da minha família. Foi o pavor, aquilo sim me mostrou o quanto tudo parece estar perdido. Naqueles poucos minutos eu senti ainda mais aquela força que nos impeli a desejar com ainda mais força o próximo segundo, o amanhã. E principalmente, o melhor do amanhã.