Devaneios de uma madrugada abafada

Eu gostaria de poder simplificar as coisas. Todas elas. Queria que a vida fosse mais simples de viver, que os sentimentos fossem mais fáceis de entender. Eu queria que eu fosse alguém mais simples. Mas eu não sou. Determinadas pessoas e situações são capazes de me deixar ainda mais complicada. Isso faz sentido? Tem uma parte de mim que se transforma, que perde a leveza, a facilidade e a bendita simplicidade. Algumas coisas engatam em mim o modo muitas perguntas, muitas incertezas, muitos ses e muitos talvez. Eu não gosto desse lado. Eu não gosto de ficar aparentemente fora do meu controle, do que fazer, como fazer, onde, quando, porque, com quem. O problema não é me justificar, tenho facilidade com isso, dar satisfações, explicações, lido com isso muito – sério, experimente viver com os meus pais por 21 anos, com certeza você também se habituaria. Meu problema é me sentir a mercê dos planos alheios. E isso não é culpa de ninguém, eu só estou vivendo uma fase meio vazia da vida, com muito vácuos e espaços livres. Meu problema mesmo é que eu fico com todas essas perguntas na minha cabeça e isso tira completamente a minha espontaneidade.

Não acredito nessa coisa de signos, outro dia alguém até se ofereceu pra traçar meu mapa astral, porque sou nascida no primeiro dia de sagitário com ascendente ainda desconhecido e um pé em escorpião. Viu? Nem meu signo é descomplicado. Mas tem uma coisa sobre sagitarianos que realmente tem a ver comigo, somos uma cambada de desorganizados. Eu não me importo com os horários, com ter ou não coisas marcadas com antecedência, eu estou cagando se me chamaram pra uma viagem de uma semana que começa amanhã – agora se me chamarem pra uma viagem de fim de semana, vai sábado e volta domingo, pode ter certeza que não rola. Não me importo de acordar uma da tarde com uma ligação inconveniente me dizendo pra ficar pronta em dez minutos para ir no Pão de Açúcar… Vou ficar pronta em quarenta, porque não saio de casa sem tomar café, puro e preto, se não fizer isso estrago meu dia com uma dor de cabeça intermitente. Eu não me importo porque meus dias são uma bagunça. É uma das poucas coisas na minha vida que eu consegui descomplicar.

Eu não sei, queria poder acordar um dia e não me importar com um monte de coisas. Deixar as preocupações todas no travesseiro e abrir um sorriso para o novo dia. É o maior e o mais chato dos clichês aquela coisa de: todos os dias são uma página em branco para você preencher. Mas como a grande maioria dos clichês tem lá sua pitada de verdade. Quero dizer, a nossa vida é como um livro que estamos rabiscando diariamente, é besteira imaginar que os traços e aventuras manuais das páginas anteriores não vão macular as seguintes, mas de qualquer maneira, elas estarão mais limpas que as do hoje, e talvez esse seja o melhor dos incentivos pra trocar da aquarela pro carvão, do monocromático para o super colorido, talvez seja o melhor dos incentivos para fazer diferente, para descobrir e para descomplicar.

Talvez eu não esteja fazendo o menor sentido afinal, mas dê um desconto, eu dormir por quatro horas na última vez que estive na cama – isso porque não era noite, eram seis da manhã – e agora, novamente no silêncio da madrugada, no conforto da minha cama dividida com meus dois espaçosos gatos, estou escrevendo isso tudo, querendo só jogar fora um peso da minha cabeça e do meu peito. Melhor parar por aqui, deixar a loucura pros meus sonhos.

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