O silêncio

Eu estou em silêncio, um profundo silêncio, que veio me inquietando nas últimas semanas, tamanho era o zumbido que ele deixava nos meus pensamentos. Um oco, cheio de ecos, de quase frases, de pensamentos não ditos.

Lembro que quando estudei música meu professor disse que jamais encontraríamos o silêncio absoluto. Todo lugar aparentemente silencioso possuiria um ruído que para os que prestassem atenção suficiente acabaria se tornando um som alto e irritante. Hoje ele está em um hospício, tenho certeza que realmente nunca foi capaz de encontrar o silêncio, absoluto ou não.

A loucura dele não é o foco, obviamente. O foco é a minha. Não estou louca, não mais que sempre fui, naturalmente. Mas todo aquele zumbido que não chegava a ser som era suficiente para transformar qualquer meio são em aparvalhado.

A inquietação durou até que eu achasse a origem do silêncio, de onde devo dizer não achava que seria capaz de encontrá-lo. O silêncio vinha do amor. Comumente o mais barulhento de todos os sentimentos, me deixou em silêncio.

E eu, romântica incorrigível, me achei inicialmente em estado de desolação. O sentimento dos poemas, músicas, livros, versos e todo e qualquer outro meio ineficaz de traduzir algo que não se fala, se sente.

Mas convenhamos que se considerarmos a inexplicabilidade e inexprimibilidade do amor, veremos que a maneira ideal de demonstrá-lo é em silêncio. Através daquele olhar condescendente, do toque inesperado, do movimento ritmado, do abraço sufocante que não quer dizer possessividade – ok, talvez um pouco – e sim que temos medo de perder, de deixar. Amor se percebe no leve tremor da voz quando dizemos o nome de quem amamos. Era pra ser apenas mais um nome, mas não é, é uma outra forma de dizer “meu amor”,  um orgulho que temos centrado em outro ser, em estar com ele.

Então, me conformei com o meu silêncio. Ele ganhou sentido, motivo, significado. Um silêncio de muitas maneiras apreciativo… como perceber aquelas sutis mudanças se estivesse me dedicando mais a falar que a compreender?

Faz sentido isso? Não sei dizer… Sei que quando eu digo “eu te amo” ele está carregado de todo esse silêncio contemplativo, está cheio de sentimentos que não consegui expressar, ideias que não soube descrever, sensações que não transformei em palavra, eu senti e senti, e conti*. E assim como dias de muito calor precedem grandes tempestades, o acúmulo de silêncios gera um amor mais carregado.

Quando chego a dizer sinto o peso de tudo saindo de mim, em torrente, em uma explosão de energia. E então eu respiro fundo, sei que um novo silêncio vai começar…

*contive… mas gostei mais assim.

 

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