Praticamente 18 …

Mais um ano longe de ser criança? Isso não me parece ser o mesmo que crescer.

Richard Bach

Nesses dias eu andei com medo de ver o tempo passando. Sabe quando você quer que o tempo fique ali, praticamente estático, mas ele faz questão de só por isso passar por você indefinidamente? E então, num piscar de olhos, dias, semanas, um mês já se passou. Juro que estou nesse momento meio perdida, procurando achar esses dias que eu não vi passar, que eu não me senti vivendo. Esses dias que transcorreram de uma forma tão neutra e vazia de fortes emoções, que as muitas horas passaram por mim, mas eu não passei por elas.

O problema é que eu tinha um motivo para querer ver o tempo não passando. Eu estava assustada, com uma besteira, mas ainda assim assustada. na próxima terça-feira eu faço 18 anos. E desde o segundo que os meus 17 se tornaram oficiais eu comecei a temer por esse dia. É apenas uma oficialização de algo que já vem acontecendo ao longo dos últimos dezoito anos, mas não deixa de ser estranho. Daqui a alguns dias eu acordarei e serei legalmente responsável por mim. Na prática quase nada muda, pelo menos não por agora, mas fazer dezoito anos, de certa forma é ligar a contagem regressiva. Logo, eu serei uma adulta, com uma vida de adulta.

Eu estava me afogando, me sufocando com essa sensação. Com esse medo insano de que eu me tornaria adulta. Foi quando ontem a minha mãe me disse uma coisa que foi um banho de água fria pra mim: “Sabe Virgínia, eu tenho saudades de quando você era criança. Você tinha vontade de tudo, de todos, você queria abraçar o mundo. E de certa forma fazia isso, com pernas bem menores e com bem menos liberdade. Queria saber onde foi parar aquela Virgínia…”

Quando eu escutei isso, notei que eu não estava com medo só de ficar mais velha, de ter que ser mais responsável, ou de ter que finalmente arcar com as consequências dos meus atos. Eu na realidade estava com medo de perder uma parte de mim que eu sempre amei, e que sempre acreditei que todas as pessoas tivessem mas que com o passar do tempo acabavam perdendo. Eu tinha medo de perder o meu olhar de criança. Sabe? Aquele que te faz perdoar qualquer coisa, que te faz ver sempre o lado bom de qualquer coisa, aquele que te impele a abraçar alguém sem qualquer motivo aparente. Aquele olhar que não julga, apenas estimula. Aquele olhar de quem mesmo não sabendo nada vida, sabe viver.

E quando a minha mãe me disse isso, eu notei que eu já perdi o que eu mais temia perder. O que eu sou hoje? Eu sou mais uma pessoa que ficou chata por causa da vida. Do tipo que não sorri na rua, que se irrita a toa, que perde as estribeiras de bobeira. E notar isso foi o meu primeiro passo pra sorrir.

Não importa se eu vou ter 18, 20 ou 30 anos. Importa que eu continue acreditando, crescendo sem perder o que de mais bonito já nasceu junto comigo.

By:. Viih Loyer

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