Apenas sorriam e acenem…

Nada é tão admirável em política quanto uma memória curta.
John Galbraith

Até onde o nosso povo vai deixar as coisas andarem como estão?

A verdade é que além de o nosso povo ser feliz, simpático e amoroso ele é alienado. Admito que em parte por culpa de uma educação insuficiente, uma política que nos suga, e uma televisão que nos põe antolhos.

Nosso povo sorri e aplaude estrangeiros – com preferência para americanos – enquanto eles nos tratam como se fôssemos lixo, como se o nosso povo fosse preguiçoso, malandro, ladrão, vagabundo. Eles tiram nossa história por nossas desgraças e até de nossas vitórias fazem chacotas.

E o pior é que o nosso povo não vê isso! Nosso povo só dá mais motivos pra que sejamos vistos como resto. Se há o mensalão o país anda, se as cidades enchem d’água o país anda, se há escândalos estrondosos o país anda. Mas se há o casamento real na Inglaterra, o país para! Só se fala no vestido da plebéia, em como ela é linda, na história de contos de fada.

E eu penso, só eu que noto isso? Só eu notei as mensagens pequenas no filme Rio? Lindo é claro, uma história maravilhosa com certeza. Mas no fundo só fala mal do país.

Em um livro eu li: “Os favelados brasileiros” e por que os brasileiros? Por que não o de qualquer outro lugar do planeta? Por que não simplesmente favelados? De forma alguma, brasileiro é que é sarnento, sujo, promíscuo.

Mas eu dou os parabéns ao nosso povo, que continua achando o país maravilhoso. Bato palma pra eles que acreditam na música que diz “cidade maravilhosa”. Sorrio para aqueles que batem no peito com orgulho ao verem a propaganda estúpida do governo mostrando o Rio de Janeiro, a cidade linda que receberá as olimpíadas. O povo que vibra ao saber que o Brasil sediará a copa do mundo.  Tudo um monte de distrações para que a população não veja todo o resto extremamente errado.

Enquanto nossos carros são levados pela enchente, nossas vidas são retiradas por um fenômeno natural chamado chuva! Enquanto a cidade para porque não há como andar em um rio, mas tudo bem, cabe, no final das contas, moramos no Rio. Então batamos palmas para essa nação perdida, para esses políticos corruptos, batamos palmas para a nossa situação precária, e continuemos a servir como bobos da corte para o resto do planeta. Sim! Nos orgulhemos de ser um país que não entra em conflitos com o resto do mundo, nos orgulhemos – com o perdão da expressão – de ser um país que abre as pernas para o resto do mundo foder, cheio de orgulho e dizer que o Brasil tem o muito o que aprender. Política pacifista? Não, política assustada, acuada. Política feita por homens (quando digo isso incluo mulheres) sem visão. E apoiada por um povo criado para não criticar e não olhar a seu redor.

Se eu me orgulho de ser brasileira? Sim, e sempre me orgulharei. Mas a realidade é que nem o mais patriota poderia não se decepcionar ao ver o que está acontecendo e o que ainda vai acontecer por muitos anos. Queira Deus que não haja uma vergonha mundial com todos esses eventos que o Brasil vai sediar. E queira Deus que nossa população pare de se preocupar e chorar por um jogo de futebol e chore por uma nação sem futuro. E o pior é ouvir a desculpa: Pelo menos o futebol é uma distração, uma coisa que me deixa feliz. O resto é resto.

Sim, claro. Vamos gastar indo aos estádios, assistir homens que ganham um milhão pra correr atrás de uma bola, enquanto um operário que passa trinta horas por dia trabalhando ganha um salário mínimo, um pagamento de miséria. Mas o que é isso? Nosso povo merece uma distração!

By:. Viih Loyer

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