E o tempo passou…

“Story of my life, searching for the right” ♪

A vida tem esse costume irritante de ser sempre complicada. São as curvas, as reviravoltas, as meias palavras ou as frases inteiras. A vida é tudo o que você tem, é a sua necessidade primordial, e ao mesmo tempo é a vida que tira tudo o que você pensa erradamente que tem.  Como eu vivo? Vivo erraticamente, vivo sem rumo, vivo tentando encontrar um caminho, vivo tentando encontrar o que eu sou.

Às vezes eu sinto medo. Tenho muito medo da vida. Ela pede muito de mim, toma muito de mim. Ela me apresenta milhares de coisas que eu não sei como lidar. Eu queria poder voltar no tempo, queria poder voltar a me esconder debaixo da cama quando sinto medo, gostaria de poder voltar a chorar quando tudo decide dar errado.

A vida também um costume muito chato de te dar opções, e você não sabe qual delas escolher. Queria que a vida tivesse a opção extra: todas as alternativas anteriores. Assim eu não teria que quebrar a cabeça escolhendo uma delas. Mas não, geralmente a opção extra que se tem é: nenhuma das alternativas anteriores. Quer saber por quê? Porque você demora tanto a chegar a uma conclusão que no fim das contas num há mais o que escolher.

Tem tantas coisas aí fora pra nos assustar. Sou ainda uma menina, e tenho que descobrir o meu lugar no mundo. É difícil ter que descobrir isso agora, já. Quero poder voltar a puxar a saia da minha mãe e perguntar o que significa essa ou aquela palavra. Quero poder me jogar no colo do meu pai e me preocupar apenas com se vou ou não ganhar um doce.

Meu pedido hoje é voltar a acreditar em super heróis. Quero que eles me livrem de todo mal. Quero acreditar que alguém pode voar, que pode queimar um prédio apenas com os olhos. Quero acreditar que a lei da gravidade se perdeu lá atrás, e esquecer completamente que a aceleração da gravidade é de 10m/s² e que isso provavelmente vai cair nas minhas provas.

Ao mesmo tempo eu quero poder amadurecer. Na verdade eu queria pular essa fase esquisita em que eu não consigo escolher entre ser criança e ser adulta. Estranho não é? Em alguns momentos sou o exemplo de maturidade enquanto em outros sou a pessoa mais infantil que já existiu. Sou um mistério, uma contradição, sou um ponto sem rumo que está a todo tempo viajando para o futuro e se perdendo no passado. E o presente mesmo que é bom fica esquecido num canto escuro.

Talvez eu tenha a Síndrome de Peter Pan, talvez eu simplesmente tenha um medo excruciante de crescer. E quem sabe ser adulta não seja tão ruim. Será que eu vou poder brincar? Será que vou ter mesmo tanta responsabilidade? Posso morar pra sempre com os meus pais? Ok. Sem pânico. Posso decidir se quero crescer só amanhã? Não, claro que não. Vai ser menos um dia pra estudar pro vestibular.

Ora, já chega. Tenho mesmo que aproveitar enquanto minha inconseqüência não me largou, enquanto minha criancice está aqui, tenho que me divertir com o que ainda está presente em mim. Porque eu infelizmente sei que aos poucos a maturidade está se enraizando em mim, e quando ela tomar tudo ao menos eu poderei dizer que aproveitei todas as fases da vida.

By:. Viih Loyer

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6 comentários

  1. meel · abril 17, 2010

    lindo aqui, fiquei sem palavras, texto perfeito. Parabéns!
    passa lá no meu http://umsonhodeamor.wordpress.com/ :*

  2. rafa · abril 18, 2010

    Texto muito bom, a gente até tem dificuldade de discorrer a respeito do mesmo…

    “Ao mesmo tempo eu quero poder amadurecer. Na verdade eu queria pular essa fase esquisita em que eu não consigo escolher entre ser criança e ser adulta…”

    achei perfeito esse trecho

    http://cemiteriodaspalavrasperdidas.blogspot.com/2010/04/seu-eu-que-existe-dentro-de-mim.html

    • viihloyer · abril 21, 2010

      Que boom que gostou ! 😉

  3. Camila · abril 21, 2010

    Olá…
    Achei tão lindo que tomei a liberdade de colocar o seu texto em minha entrada de blog…

    Se caso desejas que eu o retire só me avisar!

    Parabéns…é lindo

    • viihloyer · abril 21, 2010

      Obrigada! *—-*
      Fico muito feliz quando gostam dos meus textos, e não vejo problema algum em vc o publicar no seu blog.
      obrigada outra vez …

  4. carolina B. · maio 2, 2010

    muito booom!!
    Voce escreve de uma maneira simples, tão fluida, bonita e fácil de ler.
    As vezes me pego ruminando o passado e ansiando o futuro e esqueço que tudo está acontecendo agora.
    Essas angustias só existem na nossa eterna mania de complicar as coisas, medo, apego. As duvidas, as incertesas, são essenciais, exigências da transformação pessoal. É delas que encontramos muitas respostas… 🙂
    Parabéns

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