A Rainha
Reino das saúvas: num palácio escuro mora uma rainha.
José N. Reis
Ela sempre foi muito impiedosa. Ainda menina já tinha aquele ar sério, imperial. Uma personalidade severa, dura, por vezes altiva demais. E tão absolutamente arrogante. Ninguém jamais soube como aconteceu, mas ao crescer ela se tornou fria, distante… Ah, ela se tornou uma fortaleza. Inalcançável, inatingível, inabalável. Racional, sempre racional, o que lhe escapava a lógica era rapidamente descartado.
Quem era ela, todos se perguntavam. Um mistério em forma de gente. Ninguém era capaz de dizer o próximo passo dela, ninguém era capaz de dizer o que ela estava sentindo. Eles a olhavam como alguém que jamais poderiam entender, eles a olhavam e viam a pessoa que representaria perfeitamente o papel de uma rainha. Poderia liderar um povo, poderia lidar com o bando de abutres interessados em seu poder, poderia ser distante e presente.
Mas no fundo ela era só mais uma pessoa. Por dentro era tão frágil quanto qualquer um. Esteve sempre escondendo suas tendências amorosas em sua personalidade forte por puro e simples medo de ceder. De romper. Ela só nunca quis sofrer, e no meio tempo não perceber que sofrer fazia parte de viver. No fundo ela estava o tempo todo procurando um meio de voltar, um meio de se modificar.



